A burgomídia corporativa sempre alimentou um ódio pela classe trabalhadora, ou melhor, um temor pela tomada de consciência de classe dos trabalhadores.
Organizados e mobilizados em sindicatos, conscientes de seus direitos e de sua posição na história, munindo-se de reivindicações e greves,
a Classe Trabalhadora nunca esmoreceu na sua luta diante da exploração do patronato e do capital. Sim, já houve dias de glória do proletariado em outros
períodos da história, porém o ranço secular prevalece por parte daqueles que tem por função (de)formar a "opinião pública" e formatar o senso comum.
No entanto, encarnando o ódio de classe "dos de cima", a mídia capitalista faz a caveira dos trabalhadores e jogando a população(que em sua maioria é trabalhadora)
contra os grevistas e fazendo sua cabeça a favor das privatizações odiosas dos serviços que lhe são essenciais, portanto, públicos.
Os sindicatos são sempre apontados como agentes "ideológicos" e suas motivações são sempre "políticas".
Como se as privatizações não fossem arranjos políticos e ideológicos. Ah, mas são soluções "técnicas", segundo seus articuladores.
O embuste narrativo encontra aí sua justificativa mais torpe e classista. Como se não fosse toda ação em um campo social uma ação política, já que é na Pólis em que as representações sociais estão embasadas.
Há uma guerra histórica, de divisão de classes, que aprofunda-se a medida em que o capitalismo
e suas metamorfoses ocorrem de tempos em tempos; Liberalismo, neoliberalismo, fordismo, toyotismo, rentismo...analógico ou digital.
Mas aqui especificamente temos visto nesta última semana a paralisação dos trabalhadores do metrô, CPTM(trens) e Sabesp em São Paulo.
O tiroteio é covarde e unilateral contra qualquer paralisação de serviços ou greve. É o único momento em que a população trabalhadora é "ouvida" em reportagens manjadas, com o objetivo exclusivo
de atiçar a raiva entre os pares de classe; afinal, povo e classe trabalhadora são uma simbiose.
Autoridades e jornalistas esquecem nessa hora das divergências "progressista versus conservador" e embarcam juntos nessa locomotiva que procura passar por cima da mobilização e resistência da Classe Trabalhadora, puxando seus vagões da manipulação da informação.
Autoridades e jornalistas não andam de metrô, trens ou ônibus. Talvez, com raras exceções...e portanto, o que sabem sobre a REALIDADE desse povo??
Afinal, cadê o "outro lado" dessa história? Essa é a "democracia" que tanto vociferam em defender? Conversa pra boi dormir...
O papel que a mídia comercial/burguesa/corporativa/bem paga(não se sabe se é a mais comprada ou a mais vendida) cumpre é de representar a voz do espectro social e econômico, político e ideológico da qual ela também faz parte: o da classe dominante!
Fica como registro a famosa frase de Malcom X: “Se você não cuidar, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.”
Em suma, quando ligamos a TV damos licença para que o inimigo se instale em nossos lares. Nos empurrando sua ideologia, vendendo o peixe podre da alienação nossa de cada dia. Os monopólios, como dizia Leonel Brizola, precisam ser questionados e combatidos. E isso serve tanto para as big techs também que com suas bolhas digitais alimentam gados políticos em pseudo debates rebaixados, despolitizados e identitarizados. As facções corporativas midiáticas são o resumo da representação sistemática de classe que tanto desinforma a população, e por vida da indústria cultural, consolida seu poder de dominação de mentes e corações.

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