segunda-feira, 5 de junho de 2023

AS "JORNADAS" DE JUNHO DE 2013: 10 ANOS DEPOIS E UMA BREVE REFLEXÃO CRÍTICA


 

Após o "fim do mundo" em 2012*, uma série de acontecimentos inusitados e bizarros
passaram a ocorrer em escala planetária. Sem entrar no mérito de cada acontecimento, aqui
vamos nos deter ao que houve no ano seguinte, precisamente em junho e no Brasil.
O que se passou depois, é consequência nefasta, e veremos o porquê.

A insígnia do "não é só pelos 20 centavos" desencadeou um massivo movimento nas ruas
do país naquele junho. O Movimento Passe Livre (MPL) já obteve ganhos em
outras capitais como aqui em Floripa, arregimentando estudantes e trabalhadores contra o
aumento das tarifas do transporte coletivo. Na época na capital paulista o prefeito era o atual ministro da fazenda, Fernando Haddad e o governador do estado era Geraldo Alckmin, hoje vice presidente do governo petucano.

Muito além disso, o que se viu foi um "grande estouro de manada", reunindo uma grande insatisfação
popular perante a crise econômica instalada no momento. A multidão nas ruas expressava seu
descontentamento com as medidas governamentais, sempre vitimando os trabalhadores
em prol de uma minoria dominante. E enquanto a mídia noticiava a movimentação,
estava inoculando ao mesmo tempo o embrião de uma ideologia.

O que se viu foi a cooptação pela direita política de algo que poderia estar no colo da própria
esquerda institucional, que não soube fazer desse limão uma limonada; ou seja, com as massas ganhando as ruas, a coisa passou a adquirir um outro caráter. No ano seguinte(2014), ano de Copa do Mundo, Dilma se reelege, mas não consegue acalentar os ânimos. Mais protestos surgem, agora contra os gastos com a realização da Copa. Lei aniterrorismo é implantada. O governo não soube conduzir a ansiedade popular e a crise econômica se tornou uma grande crise política culminando no afastamento de Dilma através do processo de impeachment.

No ano de 2016, a burgo mídia corporativa deu ampla cobertura às manifestações de camisas da CBF
com flashes ao vivo em intervalos da transmissão dos jogos de futebol aos domingos, patrocinando uma
grande fanfic que já irrompia o reacionarismo que viria a caracterizar e concretizar o domínio de um novo cenário político.

Com a ascensão do vice Temer, o que se nota é o "fechamento" do regime em torno de mais medidas antipovo. E daí com a instalação sob os holofotes midiáticos da infame operação lava jato, a juristrocratização da política se tornou um fato.
Das ruas para os tribunais, o deslocamento armado pelas instituições liberais burguesas, conflagrou o
verdadeiro GOLPE contra o país. A verdadeira "narrativa" do "golpe" é essa; não foi pelos 20 centavos e nem pra depor o PT do poder (lawfare) - que não soube organizar e mobilizar a militância e o povo para impedir sua derrocada.
E sim foi a ânsia entreguista lavajatista na aparente "luta contra a corrupção"(SIC!) que culminou em perdas infraestruturais e no aceleramento da desindustrialização, sob a direção externa de Washington.
Viria à tona personagens escabrosos como um "certo" juiz Sérgio Moro e movimentos gestados no próprio âmbito das ruas como o bando de playboys ancaps do MBL, alçados depois a carreira parlamentar. O olavismo cultural vira um tutorial para os imbecis que "descobriam" as maravilhas do mundo político.

A merda estava feita...

Chega o ano de 2018, e um certo capitão-deputado se elege presidente da república. Surfando na onda
da revolta cívica, Bolsonaro, o espantalho que muito bem serviu para as operações psicológicas orientadas num jargão "contra tudo que está aí", soube ser o personagem central de uma trama que reuniu a inteligência do exército com a moda juristocrática e o apelo "antipetista" na esteira oportuna "contra a corrupção"...Lula é preso e impedido de se candidatar.
O restante todo mundo já sabe. Cai o pano.

Mas o que de fato significou as tais "jornadas "de 2013? Uma insurreição popular? Uma primavera?
Ou uma revolução colorida?  Dá muito pano pra manga refletir sobre estas valências. 

No entanto, a crise econômica segue agravando-se com perdas de direitos trabalhistas e previdenciários para a Classe Trabalhadora e aumento nos índices de desemprego, a escalada da fome, colapso na saúde, etc. Sem contar na trilionária dívida pública e do assalto à Petrobràs pelo rentismo internacional e privatizações como as da Eletrobrás.

Personagens e "narrativas", pandemia, CPI, desgraças e tragédias em todos os aspectos da vida surgiram em escala disruptiva como um bueiro estourando vindo à tona toda a nojeira antes represada. Eis a IDEOLOGIA apresentada e representada pela classe dominante serviçal das oligarquias transnacionais condutoras de guerras híbridas, sempre no controle das coisas, acionando as marionetes
da burgo mídia e aparelhando a internet e as redes sociais e seus esquemas algorítmicos, refletindo mais uma vez a confusão mental em massa de uma "guerra cultural", DIVIDINDO PARA CONQUISTAR sempre mais mentes e corações. E assim chegamos a esse ponto, com o aprofundamento da crise e o tecido social sendo oportunisticamente dominado por um novo/velho reacionarismo, que no seio da classe média encontrou um lugar cativo para se instalar e se afirmar.

No final das contas, 2013 teve um impacto como um 1x7, com uma esquerda social liberal que nada tem a ver com a luta revolucionária e pelo socialismo, sem condições ou vontade de reunir as massas e afundada no identitarismo, copartícipe desse próprio processo e perdida no gerenciamento da crise do sistema. Crise agravada pelo gerenciamento anterior de uma direita carcomida, que ainda serve de sustentáculo parlamentar ao governo "progressista" atual, de frente amplíssima contando até com a colaboração dos setores mais reacionários políticos, financeiros e produtivos.

A presumida "polarização" do espectro político brasileiro é falso e artificial. E de caráter moral e eleitoreiro. Porque são partes componentes constituídas advindas de uma mesma ideologia de dominação. Em cada ponta, está o intocável compromisso com o tripé macroeconômico(superávit primário/metas de inflação e câmbio flutuante), com as tais agendas plutocráticas, em que nenhum governo por mais facho e/ou woke que seja jamais tocará tal privilégio de classe burguês. O imperialismo segue dando as cartas e dobrando a aposta.O resultado é essa "esquerda" alinhada com as diretrizes do Partido Democrata, enquanto a direita/ultradireita se identifica com o Partido Republicano.

 A estadunidensificação da sociedade brasileira é uma triste realidade. A indústria cultural, o sistema político, judiciário, a moralidade religiosa neopentecostal também constituem este arcabouço ideológico.

 A merda continua fedendo...💩


PS: Segundo a profecia maia, 2012 seria o ano do apocalipse...o que de certa forma faz sentido, ao menos para este escriba aqui...razões não faltam para acreditar nisso!

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