terça-feira, 13 de dezembro de 2022

ÍNDIO QUER APITO OU ÍNDIO QUER FUZIL?

 A condição do esvaziamento da luta dos trabalhadores e sua substituição pela luta de direitos civis vem provocando uma série de enfrentamentos e dilemas no espectro político da esquerda. A esquerda institucional, partidária, tem viés liberal e não confronta a natureza do sistema capitalista, buscando ao contrário, a sua adequação a este ou seja a tal "inclusão". 

Em nome da suposta "diversidade", o que temos aqui é uma colcha de retalhos, remendadas pela agulha do capitalismo liberal. 

Muito além da forma que visa a concessão desses direitos individuais, está o detrimento da luta coletiva enquanto classe; os sindicatos hoje em dia se tornaram peças mortas, pelegas, cativas do estado burguês e completamente distantes do ideal de emancipação dos trabalhadores do jugo do capitalismo.

Suplantado pela era do dito neoliberalismo, os direitos coletivos enfrentam uma barreira ideológica, onde sai do campo de luta a própria luta de classes em prol da "luta" individual. Bem ao gosto neoliberal.

Como consequência temos o surgimento do ingrediente do "identitarismo" como peça que move a engrenagem social e política que concede "espaço, visibilidade e cidadania", tido como um avanço da luta das minorias. Esse novo ingrediente praticamente sugou toda a capacidade de organização próprias de classe sendo endossado e incensado, inclusive pela mídia corporativa, mercado, publicidade, e também pelos próprios programas políticos partidários. Tanto da esquerda como da direita. Liberais em sua concepção "democrática" e "plural", de olho em futuros "rendimentos" eleitorais.

Seria como um "adestramento" comportamental, algo que suavizaria a penúria existencial de quem se não vê reconhecido na luta por sua classe. Aqui anula-se o componente ideológico de classe, transferindo para o universo particularizado da busca e realização do autorreconhecimento seja lá como for: através da afirmação positiva da cor da pele, da questão de gênero, da ancestralidade étnica, etc.

Dessa maneira temos aqui um monstro. Um bode colocado na sala pela influência dos think tanks estadunidenses que implantam modos de viver culturalmente impostos de cima pra baixo. O viés é imperialista, em que o controle não se dá tão somente pela presença de multinacionais na economia e finanças, mas por um colonialismo cultural, através da mídia e da indústria cultural. Um verdadeiro ataque à independência e soberania dos países, num plano de dominação traçado por estes organismos externos intervencionistas.

Tudo isso acima explicado para mencionar o quanto de bizarrice tal tendência é capaz de provocar de estranhamento e contradições ideológicas e até existenciais profundas. Quando a "identificação" se toma apenas pelo valor de face de seu nicho "ambiental" e individual ( cor da pele, gênero, etnia) perde-se a memória crítica histórica, e o passado é uma roupa que não nos serve mais, como diria Belchior. A identidade nacional e de classes aqui jaz...

Ou que de outra maneira poderíamos explicar, por exemplo, o apoio de uma liderança indígena a um governo de viés protofascista, ultraliberal e entreguista, predador da cultura nacional e originária, devastador da Amazônia e demais biomas? A aculturação neoliberal pariu esse monstrengo. O que diria o mestre Darcy Ribeiro nesta hora?

Nas manifestações bolsonaristas em Brasília na segunda-feira dia 12, contra a diplomação de Lula, a coisa descambou para a "baderna" e no meio da zona toda ocorreu a prisão do cacique xavante Serene, por incitar ataques ao recém eleito presidente. O que chama mais atenção é a sua devoção canina ao moribundo político e atual presidente Bolsonaro, quase como uma devoção sagrada, em que aqui Tupã deve ter se envergonhado de seu filho...

Este pode ser um pequeno e mero detalhe diante da bagunça que as ruas do Brasil se tornaram neste período pós-eleitoral, mas serve de amostra gigantesca do que podem provocar as chamadas guerras híbridas e seu desdobramento aqui numa guerra cultural ou revolução colorida. São personagens ativos, engajados, fustigados pela divisão política contribuindo pro esgarçamento do tecido social, estimulados pelas bolhas digitais e algorítmicas, onde o reino da falência cognitiva sepultou toda e qualquer manifestação de lógica e coerência discursiva.

O estrago está sendo feito não somente em nosso território nacional, mas em várias partes do mundo; mas quem diria que um dia iríamos ver um personagem representante de povos "originais" enaltecendo outro representante antagonista, filhote de uma classe dominante assassina histórica ? É apavorante quando nos deparamos diante desses mortos-vivos mentais e seus delírios que parecem dar demonstrações que nossa civilização já era...seja um empresário de si mesmo! seja um ativista profissional! proclame o terraplanismo com seu chapéu de alumínio, ou seu cocar! e peça intervenção militar!...que falta fez e faz uma Revolução !!!




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